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Aumento do nível do mar pode destruir manguezais e acabar com faixa de areia na Baixada Santista


Fonte: A Tribuna (30 de setembro de 2019 )
Nível do mar aumenta 2,5 vezes mais rápido e fenômeno afeta faixa de areia na Baixada Santista (Rogério Soares/AT)

 

Uma pesquisa divulgada na última semana pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), por um grupo de especialistas da ONU, revela um aumento 2,5 vezes mais rápido do nível do mar em todo o mundo. O fato é decorrente de impactos devastadores ao meio ambiente, que causam mudanças climáticas consideradas irreversíveis. Na Baixada Santista, também é possível notar estes impactos.

 

Especialistas da região já notam a alteração e temem pela conservação dos ecossistemas presentes nas áreas de mangue, além da diminuição da faixa de areia nas praias. Segundo a pesquisa do IPCC, pequenas ilhas e geleiras ao redor do mundo já desapareceram. O estudo foi divulgado na última quarta-feira (25), durante reunião em Mônaco.

 

De acordo com o biólogo professor Renan Braga Ribeiro, do Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas (NPH) da Universidade Santa Cecília, o aumento mais rápido do nível do mar já foi percebido na região do Baixada Santista. Segundo ele, há estudos indicando que todas as cidades seguirão a tendência de aumento global. “Especificamente para a nossa região, esses aumentos podem modificar a cobertura dos ecossistemas de manguezal, podendo diminuir a área de cobertura desse ecossistema”, explica.

 

Faixa de areia pode desaparecer

Outro efeito direto das mudanças climáticas na região com o nível do mar mais elevado é que a área de praia, a faixa de areia, deve diminuir e, com o tempo, até mesmo desaparecer, segundo o biólogo Renan Braga Ribeiro.

 

Já o engenheiro pesquisador Matheus de Souza Ruiz conta que o aumento acelerado do nível médio do mar é consequência direta das mudanças climáticas. “Segundo um estudo recente, estima-se que pelo menos 45% do aumento observado desde 1900 é atribuído às atividades humanas”.

 

Este aumento ocorre por três fatores: o aquecimento dos oceanos e consequente aumento do volume de água (por expansão térmica); o derretimento acelerado de geleiras e dos mantos de gelo da Groenlândia e da Antártica; e intervenções humanas no armazenamento de água em terra, de acordo com o engenheiro.

 

É importante ressaltar que o aumento do nível médio do mar não é uniforme em todo o planeta. Fenômenos como a expansão térmica e alterações nas circulações oceânica e atmosférica variam regionalmente.

 

Maré mais alta é sinal de perigo?

A engenheira e professora Alexandra Sampaio diz que sim. Para ela, o estudo divulgado pelo IPCC mostra um evidente aumento de riscos para todas as formas de vida nas regiões costeiras, incluindo o homem. Isto significa que estaremos mais vulneráveis às marés meteorológicas que podem se tornar mais intensas e frequentes, além de afetar a navegação, erosão e intrusão salina nas bacias hidrográficas.

 

Estruturas urbanas não adaptadas, como nas redes de macrodrenagem urbana, vias públicas, estruturas subterrâneas, também correm riscos com agravantes sociais e econômicos significativos, segundo Alexandra.

 

É possível reduzir impactos?

Alexandra Sampaio explica que o aumento do nível médio do mar é um fato amplamente reconhecido pelas comunidades acadêmica e científica, e não há nada que possamos fazer para evitar. No entanto, a taxa de aceleração deste aumento pode variar em função das emissões de gases de efeito estufa. Sendo assim, a única forma de conter estes efeitos é reduzir os gases do efeito estufa.

 

“Em um cenário otimista – com baixas emissões de gases de efeito estufa, o aumento do nível médio do mar será de aproximadamente 17 cm até 2050 e 43 cm até 2100 (4mm/ano); enquanto no cenário pessimista este aumento será de 32 cm e 84 cm para o mesmo período (15 mm/ano)”, explica a especialista.

 

Já o biólogo Renan Braga Ribeiro diz que para reduzir os gases de efeito estufa ações tanto coletivas quanto individuais devem ser tomadas. “Essas ações incluem desde novos padrões de consumo pela população às necessidades de políticas de governo para mudanças nos padrões de uso do solo e geração de energia”.


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