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Cota de importação de trigo deve sair do papel neste ano


Fonte: Valor Econômico (26 de setembro de 2019 )

O Brasil deverá implementar até o fim deste ano a cota sem tarifa para a importação de até 750 mil toneladas de trigo de fora do Mercosul, afirmou ontem Flávio Bettarello, secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, durante o 26º Congresso Internacional da Indústria de Trigo, realizado em Campinas (SP).

 

 

Promessa feita pelo presidente Jair Bolsonaro em março aos EUA, a cota ainda não foi regulamentada. Embora seja aberta a todos os países que não pertencem ao Mercosul, os americanos tendem a ser os maiores beneficiados pela medida, embora os russos também tenham ficado animados. Atualmente, mais de 80% do cereal comprado pelo Brasil no exterior vem da Argentina.

 

“Vamos ter que buscar um jeito de sermos competitivos, o que não é tão simples, levando-se em conta a distância”, afirmou Bart Swankhuizen, diretor comercial da Sodrugestvo, indústria de alimentos com sede em Luxemburgo que também trabalha como trading de grãos na Rússia.

 

A Rússia se tornou líder global em exportações de trigo nos últimos três anos, e deverá embarcar 34 milhões de toneladas na safra atual. Mas, para vender ao Brasil, também precisará driblar restrições fitossanitárias e o “costume” dos moinhos de recorrerem a EUA e Canadá quando a oferta argentina é insuficiente.

 

O trigo importado normalmente cobre mais da metade da demanda dos moinhos brasileiros, que esperam que o aumento da concorrência barateie custos e melhore margens. Segundo João Carlos Veríssimo, presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), o rendimento médio das empresas foi de 10% nos últimos três anos, enquanto o preço médio do cereal subiu 17% no período.

 

Nos últimos cinco anos até 2018, o lucro líquido dos 13 principais moinhos de trigo do país que divulgam resultados financeiros – excluindo Bunge e M.Dias Branco, que têm muitas outras atividades – caiu 16%, enquanto o Ebitda recuou 13,7%, segundo cálculos de Honório de Tófoli, ex-presidente do moinho Anaconda. Isso porque o cereal, que representa 70% do custo da indústria, aumentou, segundo ele, 15%.

 

Para a Abitrigo, também é importante que no futuro as indústrias possam aproveitar acessos abertos recentemente em novos mercados – como a União Europeia, que anunciou acordo comercial com o Mercosul. “A qualidade do nosso trigo é parecida com a de outros grandes fornecedores. Os hábitos de consumo podem ser diferentes, mas os produtos são bons também”, disse Veríssimo no evento de Campinas.

 

O dirigente reforçou que o país precisa urgentemente de uma Política Nacional do Trigo que contemple iniciativas capazes de valorizar a indústria nacional, ampliar o consumo interno de produtos com trigo e elevar a competitividade brasileira no exterior. Isso sem falar de questões de logística e do “custo Brasil”.

 

“Temos que reduzir esse custo, o que tem sido feito com as reformas que estão sendo conduzidas”, reforçou o embaixador Rubens Barbosa presidente da Abitrigo. Segundo Flávio Bettarello, o Ministério da Agricultura tem estudado uma nova política para o segmento desde que recebeu sugestões da Abritrigo, antes mesmo de Bolsonaro tomar posse.

 

“Das mais de 30 propostas do documento [entregue pela Abitrigo], pelo menos 20 dependem do ministério. Mas temos que estudá-las com calma para entender as consequências de cada uma delas nos elos da cadeia”, disse. A ideia é continuar importando trigo, mas também aumentar a competitividade do cereal nacional e de produtos feitos de trigo no Brasil, como farinhas com blends especiais, além de industrializados como massas e biscoitos.

 

Conforme dados da Abitrigo, em 2018 os moinhos do país processaram 12,17 milhões de toneladas de trigo, 3,4% mais que no ano anterior.


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