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Milton Lourenço: Máquinas, mercado começa a reagir


Fonte: A Tribuna (23 de setembro de 2019 )
Máquinas, mercado começa a reagir (Carlos Nogueira/AT)

Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), divulgados pela Agência Brasil, mostram que as vendas do setor entre janeiro e julho cresceram 5,8%. E só não cresceram mais porque, em julho, houve uma retração no mercado doméstico, que encolheu tanto em relação ao mês anterior (-9,8%) quanto ao mesmo mês de 2018 (-17,2%).

 

A balança comercial do setor teve saldo negativo de US$ 828,6 milhões em julho, o que representou recuo de 15,9% em comparação com o mesmo mês de 2018, mas as exportações cresceram, atingindo US$ 846,2 milhões, com um incremento de 24,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Por coincidência, também houve aumento de 24,1% em relação a junho. As importações igualmente cresceram em julho, 11,1% em relação a junho e 19,9% em relação ao mesmo mês do ano passado.

 

Para a Abimaq, o crescimento das exportações foi reflexo das vendas de máquinas e equipamentos para o Paraguai e para a Holanda, que juntos contribuíram para reduzir a queda acumulada em 2019, de -7,1% no semestre para -3,2% até o mês de julho. As vendas para a América Latina, que, no passado, chegaram a superar a marca de 50% do total exportado, vêm apresentando retração contínua e, em 2019, chegaram a 31,9%.

 

Essa redução deve-se principalmente à crise pela qual passa o mercado argentino, que respondia por 15% das vendas externas nacionais em 2017 e, neste ano, deve chegar a 6%. Em 2017, o setor exportou US$ 1,4 bilhão e hoje exporta US$ 600 milhões para o país vizinho, 43% a menos. E o pior é que a Argentina decidiu pedir moratória, adiando o prazo de pagamento de parte de sua dívida de curto prazo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e outros credores, o que torna o cenário mais pesado ainda, pois o país terá ainda de renegociar as dívidas de médio e longo prazos. Com isso, o setor de máquinas espera para este ano um crescimento entre 3% e 4%, reduzindo a expectativa que no começo do ano era de 5%.

 

Diante desses números, o que se conclui é que, em 2019, a exemplo de anos anteriores, o Brasil continuará a vender mais commodities, setor que em 2018 já foi responsável por 65% das exportações. Ao mesmo tempo, o País comprará menos equipamentos e tecnologia, o que equivale a dizer que o setor industrial continuará a passar por um processo de desatualização por falta de inovação tecnológica.

 

A par da crise argentina, o Brasil também sofre as consequências da crise comercial entre Estados Unidos e China, que eleva o custo da importação, reduzindo a demanda, além de gerar retração tanto no fluxo comercial como nas cotações de commodities. Também os problemas econômicos na Europa se refletem no comércio exterior brasileiro.

 

Diante disso, o importante é que o governo brasileiro continue a manter uma política de equidistância em relação à disputa comercial entre Estados Unidos e China. Afinal, é fundamental continuar o relacionamento com o país asiático, pois hoje metade das exportações de matérias-primas e mais de um quarto das exportações totais vão para a China. Já o valor que os Estados Unidos importam de produtos brasileiros não chega à metade do total que o Brasil envia para a China.

 

Mas isso não quer dizer que o País tenha de apostar todas as suas fichas no comércio com a nação asiática. Pelo contrário. É fundamental incrementar o comércio exterior com os Estados Unidos, procurando abrir espaço não só para as commodities como para os produtos manufaturados. E continuar a vender (e comprar) cada vez mais para os dois parceiros.


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