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Exportação de gado vivo cresce 342% no Porto de São Sebastião


Fonte: O Vale (23 de setembro de 2019 )
Foto: Divulgação

Alvo de críticas de entidades de proteção animal, mas importante mercado para pecuaristas, a exportação de gado vivo cresceu em 342% no porto de São Sebastião nos últimos quatro anos. Se em 2015 foram 3.307 animais; em 2018, o porto registrou 150.168 deles. Não à toa, o município do Litoral Norte recebeu na última semana a 1ª Capacitação em Boas Práticas e Bem-estar Animal no Transporte Marítimo de Animais Vivos.

 

O objetivo foi oferecer apresentações e aulas práticas para preparar a mão de obra que lida com animais transportados e abordar os cuidados do bem-estar animal nas operações. “Estamos evoluindo na legislação e nos procedimentos em relação ao bem-estar animal no transporte marítimo”, afirmou em nota Marcelo Augusto Barbosa, auditor fiscal federal agropecuário do Ministério da Agricultura e chefe da Unidade Regional de Guaratinguetá.

 

“Essa é a primeira capacitação que o Ministério promove no país, envolvendo todos os setores”, continuou ele. “Recebemos muitas informações equivocadas e com essa capacitação conseguimos ver o outro lado, o que é significativo para podermos entender e debater como esses animais são transportados”, disse em nota Wania de Araújo Moreira, veterinária e representante da sociedade civil organizada.

 

Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviço, o Brasil é um dos maiores exportadores de gado vivo do mundo. Perdemos apenas para a Austrália. Em 2018 foram 810 mil bovinos, 102,2% a mais na comparação com 2017. A operação gerou receita de US$ 470 milhões para o Brasil.

 

Além do porto de São Sebastião, os embarques regulares ocorrem nos portos de Santos (SP) – que desde 2018 vive um imbróglio após denúncia de maus tratos e violência a dignidade dos animais – Barcarena, na região Norte, e Rio Grande, na região Sul. Em São Sebastião, o primeiro embarque de bovinos ocorreu em 1988. A partir daí, foram registrados embarques esporádicos, pouco representativos em termos de quantidade.

 

A maioria deles, aliás, segundo informações da Secretaria Estadual de Logística e Transportes do Estado de São Paulo, com animais para melhoria do plantel nos países de destino. Até que em 2004, os embarques se tornaram mais regulares e os volumes foram aumentando, com a abertura de novos mercados já de gado para abate.

 

O porto local já exportou para Malásia (1988), Colômbia (2000), Venezuela (2004, 2006, 2008, 2013, 2014), Angola e Senegal (2010), Costa do Marfim (2009), Filipinas (2010), Turquia e Egito (2016, 2017 e 2018), Jordânia e Iraque (2018 e 2019). A movimentação varia em função da política de comércio exterior e da economia mundial.

 

INVESTIMENTO

O aumento do número de exportações no Litoral Norte, se deve ainda aos investimentos realizados pelo Estado Infraestrutura. Porto é composto por quatro pátios, o primeiro tem 31 mil m² (produtos siderúrgicos), o segundo tem 35 mil m² (veículos); o terceiro, 110 mil m² (granéis sólidos); e o último, 95 mil m² (área não alfandegada) (infraestrutura) e pelo setor privado (estabelecimento de novos protocolos de exportação).

 

“O porto possui o que há de melhor no país para esta prática. Por não ser um porto de grande porte, não conta com várias operações simultâneas ao embarque dos animais o que minimiza o stress que poderia ser causado”, informou a secretaria em nota. “Ele é de fácil acesso e ambientalmente seguro. Quanto ao cuidado com os animais, o Porto de São Sebastião é pioneiro e desenvolve muito do que é praticado hoje mundo afora”.

 

POLÊMICA

O transporte de gado vivo é uma questão polêmica. Um movimento internacional liderado pela ONG Compassion in World Farming tem mobilizado a população mundial contra essa exportação. O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal explica que esse comércio não é bom para o Brasil, uma vez que representaria apenas 7% da receita prove niente da exportação de carnes e derivados.

 

A médica veterinária Vânia Nunes, diretora técnica do Fórum Animal, salientou que a condição de maus-tratos começa no transporte das fazendas para o porto, e que as viagens não oferecem mínimas condições que garantam o bem-estar do gado. Segundo ativistas, os animais são seres que têm a capacidade emocional para sentir dor.


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