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Especialista diz que anticoncepcional pode reduzir pombos em SP


Fonte: G1 (9 de agosto de 2019 )
Veja o ciclo da criptococose — Foto: Arte/TV Globo

O número de pombos em cidades da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, vem crescendo exponencialmente e já resulta em uma hiperpopulação da espécie, relatou o professor e pesquisador Eduardo Ribeiro Filetti, de 53 anos, ao G1 nesta sexta-feira (9). De acordo com ele, há grande probabilidade de que surjam mais casos da ‘Doença do Pombo’ na região e, para evitar isso, colocar anticoncepcionais na comida dos animais pode ser uma solução.

 

No último mês, um cinegrafista, de 43 anos, e um empresário, de 56, morreram, em Santos (SP), em decorrência da criptococose, conhecida como ‘doença do pombo‘. A prefeitura da cidade informou que os atuais protocolos de saúde não obrigam a notificação dos casos, mas que realiza ações de prevenção.

A situação da espécie na região já é objeto de estudo de Filetti, que também é médico veterinário, há 20 anos. Ele afirma que, já no primeiro ano de pesquisa, alertou sobre os perigos da proliferação do animal.

 

“O pombo se reproduz com muita facilidade na região. Há comida em abundância, água à vontade, oxigênio bom, ausência de predadores naturais, como o gavião e o falcão, e uma geografia favorável”, explica.

 

Além disso, o animal atualmente não come apenas grãos, ele aprendeu a comer também alimentos como feijão, arroz, alface, salsicha e iogurte. “Ele virou onívoro, com isso se adaptou a cidade e se reproduz muito mais. Isso impacta nos municípios, porque eles crescem muito mais rápido que o necessário para o equilíbrio”, diz.

 

Proliferação e controle

“O maior perigo para proliferação do pombo são os lixos das cidades e as sementes e grãos derramados no Porto de Santos. Quem dá comida para o pombo só contribui para um pequena parcela do aumento da espécie, mas o ato também não é indicado”, diz o pesquisador.

 

O professor ainda sugere que as aves sejam tratadas com anticoncepcionais em suas comidas, para diminuir ecologicamente a população da espécie. A limpeza de áreas em que há grande quantidade ou passagem desses animais também deve ser feita pela prefeitura.

 

De acordo com ele, o aumento do número dessas aves é um problema urbano de difícil resolução na Baixada Santista, pela proporção que tomou. “Como pesquisador posso informar e alertar, mostrar a realidade para a sociedade, mas as ações de prevenção e melhoria devem ser feitas pelo poder público”, destaca.

 

Contaminação

A criptococose, de acordo com o especialista, atinge principalmente pessoas com a imunidade baixa, e a transmissão ocorre quando há a inalação de poeira com fezes secas dos pombos, contaminadas pelo fungo.

 

“As fezes secas são as mais perigosas. A maior parte dos fungos não está no intestino do pombo e sim no meio ambiente, ou seja, a situação piora após eles defecarem e as fezes secarem. Apenas 0.06% das pessoas que não estão com imunossupressão pegam essa doença”, relata.

O empresário José Wilson de Souza, que morreu em Santos, em decorrência da criptococose, só recebeu o diagnóstico após um Acidente Vascular Cerebral (AVC), segundo a família. A esposa de José contou que uma médica neurologista chegou a desconfiar que ele tivesse com síndrome do pânico.

Para Filetti, a divulgação dos casos recentes pode ser um ponto positivo, já que servirá de alerta aos médicos, que estarão atualizados e poderão identificar a doença com maior facilidade. Ele também ressalta que as aves são protegidas por lei federal e não podem ser mortas, apenas controladas.

Nesses casos, é importante proteger o nariz e a boca com máscara ou pano úmido e utilizar luvas quando for fazer a limpeza de locais onde estejam acumuladas fezes e ninhos de pombos. É necessário umedecer bem as fezes com solução desinfetante a base de cloro (água sanitária diluída em água, em partes iguais) ou quaternário de amônia diluídos em água em partes iguais, alerta o especialista.

 

Já em relação as fezes molhadas, o pesquisador explica que, entre 2000 e 2015, elas não apresentavam um risco ao ser humano. Mas, de 2015 em diante, foram detectadas doenças humanas que não haviam sido encontrados nas excretas dos pombos anteriormente, indicativo de que eles passaram a se alimentar de lixo e fezes produzidas por seres humanos. As fezes molhadas então passaram a apresentar um problema maior.

Além disso, em um dos último levantamentos feitos pela pesquisa do médico veterinário, entre 2015 e 2016, somente Santos já possuía cerca de 230 mil pombos.

 

Lei

Um projeto de lei de julho de 2017, de autoria do vereador Manoel Constantino (PSDB), quer obrigar o fechamento de espaços para ar-condicionado, projetados para o exterior das edificações, que estejam desativados em Santos. De acordo com o autor da proposta, o objetivo é impedir que pombos ocupem a estrutura.

 

Pelo texto, os espaços devem ser fechados definitivamente ou com uma grade. Se aprovada, a propositura estabelece que a pessoa notificada terá 60 dias para cumprir a ordem.


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