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Pelo fim da lenda urbana


Fonte: A Tribuna (12 de julho de 2019 )

Há mais de 90 anos, um assunto é pauta recorrente na Baixada Santista – a implantação da ligação seca entre Santos e Guarujá. Não é preciso tapar o sol com a peneira: quantos políticos não surfaram nessa proposta mesmo que, no fundo, soubessem de sua inviabilidade? Foi por essa razão que me recusei a tocar no tema durante a campanha eleitoral. Seria mais do mesmo.

 

Neste ano, no entanto, uma luz começa a despontar no fim do túnel. Ainda que já tenhamos assistido a apresentação de projetos, anúncios oficiais e até inauguração de maquetes, agora existe uma solução para o maior impasse relativo ao sonhado equipamento: quem vai pagar a conta.

 

O Governo do Estado propôs a ampliação da concessão do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) à Ecovias, que, em contrapartida, arcaria com os custos da obra da ponte. O governador João Doria (PSDB), inclusive, afirmou que as licenças necessárias para iniciar os trabalhos poderão ser obtidas em até oito meses.

Há um porém: a Codesp, responsável por administrar o porto santista, faz ressalvas contra a construção da ponte. A companhia alega que os 93 metros previstos para a estrutura, atualmente suficientes para o tráfego dos navios, podem em algumas décadas se tornarem insuficientes frente ao avanço tecnológico no setor. O que prejudicaria as operações no canal.

 

Não sou especialista no tema, mas tendo a considerar que a melhor opção para resolver o problema de vez seria um túnel submerso entre as duas cidades. Levei uma proposta ao diretor-presidente da Codesp, Casemiro Tercio Carvalho, no fim do mês passado: por que o Governo Federal, ao qual a empresa está subordinada, não arca com a diferença de R$ 500 milhões para a construção do túnel (orçado em R$ 3,2 bilhões, enquanto a ponte sairia por R$ 2,7 bilhões, aproximadamente)?

 

O dirigente da autoridade portuária afirmou concordar que esta seria uma saída viável e prometeu levar a ideia à Secretaria Nacional de Portos (SEP). Entre outras razões, o projeto do túnel prevê seis pistas para tráfego (o da ponte é de quatro pistas), além de espaço para integração com o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e ciclovia.

Há outra vantagem: a abrangência. A ponte está programada para ligar a Alemoa (entrada de Santos) até a Rodovia Cônego Domênico Rangoni, enquanto o túnel seria feito entre a Avenida Perimetral e Vicente de Carvalho (Guarujá). Ou seja, atenderia um público muito maior.

 

É por isso que, passados tantos anos, enxergamos sinais de que o que parecia impossível, enfim, pode sair do papel. O consenso ainda está longe, é bem verdade. Mas quero acreditar que, a partir do diálogo entre as partes envolvidas, possamos chegar ao melhor entendimento. Para colocarmos fim no que corre o risco de se tornar a nossa maior lenda urbana.


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