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Os Estados Unidos enfrentam uma enorme escassez de caminhoneiros


Fonte: Porto e Notícias (27 de junho de 2019 )

Os Estados Unidos enfrentam uma enorme escassez de motoristas de caminhão. Joyce Brenny, diretora da Brenny Transportation, em Minnesota, aumentou o salário dos motoristas em 15% este ano para tentar atrair mais motoristas. Muitos de seus funcionários agora ganham 80 mil dólares por ano (quase R$ 300 mil), mas ela ainda não consegue encontrar pessoas suficientes para o trabalho.

 

Cerca de 51 mil motoristas adicionais são necessários para atender à demanda de empresas como a Amazon e o Walmart, que estão enviando mais mercadorias para todo o país, de acordo com as Associações Americanas de Transporte por Caminhões (ATA). A escassez de motoristas já está levando a atrasos nas entregas e a preços mais altos para os produtos que os americanos compram. A ATA prevê que é provável que a situação piore nos próximos anos.

 

Muitas empresas de caminhões estão tão desesperadas por motoristas que estão oferecendo bônus contratuais e aumentos salariais. Então por que mais norte-americanos não querem esse emprego? Nós perguntamos aos motoristas de caminhão de vários lugares e com diferentes tempos de experiência para descobrir seus pontos de vista.

 

A maioria deles disse que a resposta é simples: o estilo de vida é difícil. Você mal vê sua família, você raramente toma banho e recebe pouco respeito de motoristas, policiais ou grandes varejistas. Michael Dow disse que se divorciou duas vezes por causa de caminhões. Donna Penland disse que engordou 27 quilos em seu primeiro ano como motoristas por ter de ficar sentada o dia todo e pela falta de comida saudável na estrada.

 

Alguns motoristas disseram ao Washington Post que ganham US$ 100 mil por ano (R$ 371 mil), mas muitos disseram que seu pagamento anual é inferior a US$ 50 mil (as estatísticas do governo dizem que o salário médio do setor é de US$ 42 mil — equivalente a R$ 156 mil). Quanto aos bônus, o motorista Daniel Gollnick disse que eles são uma “piada” por causa de todas as condições enfrentadas.

 

Apesar das dificuldades, metade disse que recomendaria o trabalho para amigos e familiares, principalmente porque, como disse Gollnick, “é o dinheiro mais fácil que você pode obter sem um diploma universitário”. Aqui estão as perspectivas dos motoristas sobre a crise de caminhões dos Estados Unidos.

 

Michael Dow, de Dallas, é caminhoneiro há mais de duas décadas. Ele e seu irmão fundaram uma empresa, a Dow Brothers Transportation, este ano. Eles esperam mais do que dobrar seu salário.

Idade: 48 anos

Renda anual: US$ 45.000

 

Por que as pessoas não querem esse emprego? “O pagamento está muito defasado. Eu ganho menos agora do que há 20 anos se for ajustada a inflação e o custo de vida. Eu percebi isso uma vez, e estava ganhando US$ 14 ou US$ 15 por hora dirigindo para grandes transportadoras. Pessoas que trabalham grelhando hambúrgueres estão exigindo US$ 15 por hora”.

 

Você conseguiu um aumento? “Consegui, porque eu saí e comecei minha própria empresa este ano. As taxas [de frete] nunca foram tão boas em mais de 20 anos. Espero que a falta de motorista continue. Motoristas qualificados como eu não são baratos agora. Estou esperando ganhar US$ 85.000 a US$ 120.000 este ano”.

 

Você recomendaria este trabalho? “Eu tenho um filho de 21 anos nas forças armadas que está prestes a sair. Com toda a honestidade, eu não quero que ele entre nesta indústria porque é uma vida difícil. Eu não recomendo a ninguém que tenha uma família. Meus filhos estão na faixa dos 20 anos agora, eu não estava presente na maior parte da vida deles. Eles me disseram que gostariam que eu tivesse ficado mais em casa. Eu me divorciei duas vezes por causa da minha profissão. Para ter uma perspetiva real, converse com a esposa de um caminhoneiro”.

 

Daniel Gollnick, de Melrose, Wisconsin, dirige para uma empresa que o leva para casa todas as noites. Ele costumava dirigir pelo país em um caminhão que tinha uma cama improvisada, mas sua namorada não gostava que ele ficasse longe tanto tempo.

Idade: 28 anos

Renda anual: US $ 45.000

 

Você recebeu um aumento ultimamente? “Conseguimos um aumento de US$ 1 este ano. A maioria dos caminhoneiros estava recebendo US$ 17,50 por hora. Agora estamos ganhando US$ 18,50. Isso mal cobre inflação. Eu vejo aqueles anúncios de grandes bônus para motorista, mas é uma grande piada”. Trabalhei para algumas das principais empresas de transporte de cargas: a Roehl Transport e a Melton Truck Lines, que ofereciam bônus de entrada, mas o que não lhe dizem é o que depende para conseguir esse bônus de US$ 1 mil. Às vezes você precisa ter certificações para transportar cargas perigosas ou precisa ser qualificado para dirigir em bases militares ou portos. E você precisa atender a requisitos de uso de combustível, mas eles geralmente dão a você os caminhões mais antigos que gastam mais combustível, dificultando a obtenção do bônus de entrada”.

 

Você recomendaria este trabalho? Eu digo aos amigos que estão trabalhando em empregos que pagam salário mínimo para que eles obtenham sua CDL [Licença de Motorista Comercial, que leva algumas semanas]. É o dinheiro mais fácil que você pode obter sem ter um diploma universitário, mas é uma indústria difícil. Você vai ficar sozinho muito tempo”.

 

O setor está em crise? “Não há caminhoneiros suficientes. Eu tenho feito viagens extras, porque estamos com falta de motoristas. Mas percebi que não estou realmente pegando mais carga física. Estou apenas pegando em mais lugares”.


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