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Movimentação internacional da Maersk despenca 12% no 1º tri no CE


Fonte: Diário do Nordeste (7 de junho de 2019 )

Consumo interno enfraquecido e falta de acordos comerciais levaram as operações da transportadora marítima de carga em contêineres Maersk Line a retraírem no Brasil. No Ceará, as importações e exportações pelo Porto do Pecém despencaram 12% no primeiro trimestre do ano ante igual período de 2018. No País, a movimentação caiu 2% no mesmo intervalo.

 

As baixas mais expressivas foram observadas na movimentação de papel e celulose (-87%) e de frutas, vegetais e plantas (-61%), sendo estes últimos itens os de maior destaque na exportação em contêiner no Ceará. “A exportação de frutas do Ceará foi influenciada fortemente pelo fator climático, que impossibilitou o envio de melões”, explica Matias Concha, gerente de Produto da Maersk para a Costa Leste da América do Sul. Outra queda foi observada na movimentação de têxteis e couro (-58%).

 

 

Por outro lado, cresceu consideravelmente o transporte de plástico e borracha no primeiro trimestre de 2019. Foram 228 contêineres a mais na comparação com o primeiro trimestre de 2018, um salto de 235%. O avanço foi observado pela Maersk nas importações (269%) e nas exportações (alta de 185%).

 

Considerando o cenário geral das cargas transportadas pela Maersk no Pecém, as exportações caíram 17% no primeiro trimestre deste ano. De acordo com a transportadora marítima, o resultado acompanha os números observados no resto do País: tanto as exportações como as importações recuaram 2%.

 

De acordo com relatório divulgado pela Maersk Line, “apenas três meses atrás, as expectativas eram muito diferentes”. “A Maersk estava cautelosamente otimista em fevereiro, com esperanças de que os consumidores voltassem a comprar até o fim do segundo trimestre e as companhias contratassem novamente”, diz o documento, intitulado “O ano de 2019 será um ano perdido para o Brasil?”.

 

Além do consumo retraído e da falta de novos acordos comerciais que alavanquem a competitividade do Brasil em relação a outros países, a empresa também coloca a aprovação da reforma da Previdência como fundamental para uma retomada da economia.

 

“A reforma da Previdência – aprovada ou não no terceiro trimestre – deixa o País em espera. Empresas adiam seus investimentos por ainda não terem certeza se o novo Governo no Brasil conseguirá apoio o suficiente para seu programa de reformas”, diz ainda um trecho do relatório.

 

Segundo o secretário do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet), Maia Júnior, o Governo do Ceará vem trabalhando para fortalecer as relações comerciais com outros países, participando de feiras em busca de empreendedores. “Os acordos comerciais sólidos acontecem quando a atividade econômica está a todo vapor. O nível de atividade econômica no Brasil está bastante retraído”, pondera.

 

Cabotagem

O diretor geral da Maersk para a Costa Leste da América do Sul, Antonio Dominguez, revela que o Ceará é importante dentro das operações do grupo quando se fala em cabotagem (transporte marítimo de produtos entre portos brasileiros). O Estado recebe mais produtos do que envia.

 

Os envios de cabotagem ocorrem, sobretudo, para Santa Catarina, Amazonas e parte do Sudeste, de acordo com o grupo. A região Sudeste também é a que mais envia para o Estado pela Maersk, com destaque para o arroz, maquinário, roupas e também peças automotivas.

 

Acordos

A diretora de Atendimento ao Cliente da Maersk, Elen Albuquerque de Carvalho, reforça que o grupo está confiante no progresso de acordos comerciais. “A nossa aposta é a China. É uma promessa de Governo que a gente está aguardando e esperamos que os empresários reconquistem a confiança na economia brasileira”.

 

Para a gerente de Operações Terrestres da Maersk, Eunice Minczuck, a visão para 2020 fica mais cautelosa. “Nós não vemos o comércio melhorando sem novas medidas que melhorem a competitividade do País, habilitando a criação de novos acordos comerciais”, detalha.

 

As importações e exportações da Maersk Line pelo Porto do Pecém despencaram 12% no primeiro trimestre do ano ante igual período de 2018. Resultado reflete baixo consumo e falta de acordos


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