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Presidente da Codesp critica projeto e pede ligação submersa entre Santos e Guarujá


Fonte: Portos e Notícias (31 de maio de 2019 )

O presidente da Codesp, Casemiro Tércio, foi o convidado especial da edição desta quinta-feira (30) do Caderno Regional, da Santa Cecília TV. Entrevistado por Irineu Alves, Tércio expôs suas ideias sobre o projeto da ponte ligando as margens esquerda e direita do Porto de Santos. O apresentador do Programa Porto & Negócios, Maxwell Rodrigues, também participou do bate-papo sobre o setor portuário na região.

 

A construção da ponte ligando Santos a Guarujá pelo Porto foi bastante criticada pelo presidente da autoridade portuária. “O primeiro ponto que devemos colocar em discussão é: se ele (projeto) interfere na operação portuária. E do jeito que esse projeto está colocado interfere. Nós podemos dividir essa conversa em dois eixos: um é a interferência do projeto atual na vida portuária e se ele atende aos anseios (do setor). Uma travessia seca entre Santos e Guarujá precisa ser discutida com o Porto”, afirmou.

 

Esse projeto para a construção da ponte ligando as margens esquerda e direita do cais santista tem custo estimado de R$ 2,9 bilhões e deve ser desenvolvido pela Ecovias. A proposta conta com o aval do governo do Estado e as obras devem começar no segundo semestre desse ano.

 

No entanto, Casemiro Tércio ressalta que alguns pontos devem ser ajustados antes que esse passo seja dado. “O projeto tem que atender alguns pontos: travessia de pedestres, ciclistas e transporte coletivo. O governo do Estado investiu no VLT e a ponte não resolve essa questão da transposição para o lado do Guarujá. No meu ponto de vista como gestor, se nós conseguirmos equacionar essas demandas, estaremos no caminho certo. Mas essa ponte como está preconizada não atende esses anseios”, destacou.

 

Para o presidente da Codesp, outras alternativas deveriam ser discutidas antes do andamento desse projeto. “O que nos preocupa é o nível de celeridade desse projeto, sem ter consultado de fato a autoridade portuária. É importante dizer que esse é um projeto antigo. A primeira versão dele foi discutido no CAP (Conselho de Autoridade Portuária) e o seu gabarito era menor. Mas do jeito que ele está posto vai na contramão do planejamento portuário. Hoje a gente pretende aumentar a capacidade de Santos. As pessoas dizem que o gargalo de Santos está no canal, na largura do canal. Hoje para você aumentar a capacidade do canal, você precisa permitir o cruzamento de navios, e esse é um gargalo. E quando você coloca uma ponte ele diminui a capacidade de cruzamento de navios. A frota que vai frequentar Santos daqui a 20 ou 30 anos será de navios maiores. A preocupação é esse diálogo, entender as restrições do porto e comungar qual é o melhor projeto. Nós defendemos uma travessia seca, mas do jeito que se apresenta não está redondo”, explicou.

 

Casemiro, inclusive, deu uma sugestão de como a ligação entre Santos e Guarujá poderia ser resolvida: “O ponto principal é: como é que o mundo faz? O mundo passa uma ligação seca por baixo do Porto. Nós estamos olhando uma ponte que tem que ter no mínimo 80 metros de altura. Já um túnel tem que ter de 20 a 30 metros de profundidade”, disse.

 

Indagado se o Brasil teria know how para fazer esse tipo de ligação submersa, o presidente da Codesp apontou que o investimento poderia ser feito com ajuda internacional. “Hoje os investimentos na área dos Portos, você faz uma concessão internacional. Isso não é um problema. Quando você inova em engenharia aqui em Santos, você cria engenharia no Brasil adquirindo esse conhecimento de outras empresas e soluções mundiais. Depois, você pode aplicar em outros portos do país já com engenharia brasileira”, comentou.

 

Por fim, o dirigente da autoridade portuária contou que deve entrar em contato com o governo estadual nos próximos dias com o intuito de ajudar na discussão sobre o projeto. “Devemos oficializar por meio de um documento, as nossas preocupações e (apontar os) pontos fracos do projeto. Vamos nos colocar à disposição para trabalharmos juntos pensando em uma solução. A solução é submersa. Não sei se vai ser o túnel como foi (discutido) na gestão anterior, mas a solução tem que ser submersa”, encerrou.


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