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Operação pode facilitar corte no sistema S


Fonte: Valor Econômico (20 de fevereiro de 2019 )

As investigações sobre o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, podem acelerar uma troca na interlocução da equipe econômica com o setor produtivo.

 

Desde a reta final da campanha, pode-se dizer sem exagero que não houve química entre Andrade e o ministro da Economia, Paulo Guedes. O industrial também foi incapaz de se movimentar no Palácio do Planalto de Jair Bolsonaro com a mesma fluidez com que circulava nos governos de Dilma Rousseff e de Michel Temer. Para um setor que terá pautas complicadas pela frente – redução de subsídios, abertura comercial e reforma do Sistema S -, a falta de diálogo só complica.

 

Se Bolsonaro demonstra pouca aptidão para conversar com empresários e debater sobre medidas econômicas, Guedes se ressentiu das declarações do presidente da CNI ao <strong>Valor</strong>, dias antes do segundo turno. Na ocasião, ele se opôs ao fim do Ministério da Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Andrade tinha a expectativa de repetir a experiência do governo Temer, que ameaçava acabar com a pasta, mas acabou preservando-a e fortalecendo-a.

 

O que mais incomodou Guedes foi o termo usado pelo empresário. “O Brasil não precisa de um czar na economia”, disse na entrevista. Semanas antes, quando Bolsonaro ainda precisava comer poeira nas pesquisas, Andrade havia se irritado com o hoje ministro, que marcara uma reunião na CNI em Brasília e avisou em cima da hora que não iria.

 

No auge da transição, em dezembro, Guedes foi ao Rio de Janeiro e falou em “meter a faca no Sistema S”. Mais: afirmou que o corte nos programas poderia ser de 30% com um interlocutor que “preparado e quer construir” ou de 50% com alguém que não tivesse essa mesma boa vontade.

 

A frase tinha endereço. Na cabeça da equipe econômica, Andrade seria mais resistente a mudanças. E o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, tem o perfil de quem “quer construir”. Não à toa, Bolsonaro escolheu Gouveia como presidente do conselho nacional do Sesi, cargo que já foi ocupado por Gilberto Carvalho na gestão Dilma.

 

Na prisão para a tomada de depoimentos ou em liberdade, à frente ou não da CNI (tem mandato até 2022), Andrade está com dificuldades para reproduzir, nos tempos de Bolsonaro, o bom trânsito que tinha no centro do poder. Ontem mesmo, em um luxuoso hotel de Brasília, diretores da Firjan e o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, analisavam a situação e se questionavam sobre os reflexos no diálogo com o governo.

 

Sem comemorar os problemas de Andrade com a Justiça, alguns integrantes da equipe econômica avaliavam que a operação deflagrada ontem fortalece a intenção de o governo promover uma forte redução nas contribuições.

 

O momento para isso continua dependendo do cálculo político envolvendo a Previdência, mas a tese de desonerar a folha de pagamentos das empresas reduzindo essa contribuição entre 30% e 50% agora ficou fortalecida, no entender da área técnica.

 

A proposta para isso está pronta e só aguarda que Guedes, defina qual o tamanho final da redução a ser imposta. Hoje, o Sistema S arrecada R$ 18 bilhões por ano.


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