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Granel, Cattalini e Ageo vão disputar terminal em Santos


Fonte: Valor (27 de setembro de 2018 )

As empresas Granel Química, Ageo e Cattalini disputarão o arrendamento de uma área nobre para armazenagem e movimentação de granéis líquidos no porto de Santos (SP), conforme adiantou ontem o Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor. O leilão será realizado na sexta-feira, na B3, em São Paulo, a partir das 10 horas.

 

O prazo para a entrega das propostas foi ontem, das 10h às 13h, também na sede da bolsa de valores paulista. Os envelopes com os nomes e as ofertas dos proponentes só serão abertos na sexta-feira.

 

Já um lote no porto de Santana (AP), que seria leiloado no mesmo dia e é destinado à movimentação de cavaco de madeira, não recebeu proposta. Ocupa a área hoje a Amapá Florestal e Celulose S.A (Amcel), cujo controle acionário é dos grupos japoneses Nippon Paper Industries e NYK-Nippon Yusen Kaisha.

 

O leilão é realizado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), dentro do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal.

 

O terminal de Santos fica na Ilha Barnabé e é explorado hoje pela Granel Química, que pertence ao grupo norueguês Odfjell. Líder no mercado global de transporte marítimo de químicos e outros produtos líquidos, o conglomerado europeu tem capital aberto e registrou receita bruta de US$ 843 milhões em 2017.

 

O prazo do contrato da Granel terminou oficialmente em 2012, mas a empresa se mantém na área por meio de decisão judicial.

 

O lote tem 54.221 metros quadrados e quem arrematá-lo terá de realizar investimentos que garantam capacidade estática de, no mínimo, 97.720 metros cúbicos. Pelos estudos da Antaq, essa exigência deve demandar investimento de R$ 198,2 milhões.

 

Como essa é exatamente a oferta de tancagem do terminal da Granel e, diferentemente de outros contratos, os tanques, neste caso, pertencem à empresa pelo investimento já feito, há um entendimento no mercado de que a Granel tem uma vantagem competitiva e, por isso, poderá apresentar uma oferta de preço mais atraente. Por essa razão, outros interessados no ativo não fizeram proposta, apurou o Valor.

 

Para fontes a par do assunto, isso, contudo, não é líquido e certo e a condição não retira a isonomia da disputa. Como os outros concorrentes nada investiram no ativo poderiam, em tese, estar mais capitalizados ou com maior capacidade de se alavancar.

 

O arrendamento será válido por 25 anos podendo ser sucessivamente prorrogado até o limite de 70 anos. Vence quem der o maior valor de outorga acima de R$ 1,00.

 

O valor global ao longo do contrato é de R$ 1,3 bilhão. A área conta hoje com 99 tanques para produtos químicos, etanol e derivados de petróleo, entre outros. Tem estruturas de armazenagem conectadas ao cais existente de dois berços de atracação por meio de dois corredores dutoviários. Cada tanque tem dutos dedicados a abastecer caminhões.

 

A arrendatária deverá pagar à Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), estatal que administra o porto, R$ 116 mil por mês referente ao arrendamento fixo e R$ 4,50 por tonelada de qualquer carga movimentada, a título de arrendamento variável.

 

A Ilha Barnabé tem seis terminais dedicados à movimentação de granéis líquidos (exceto sucos cítricos). A própria Ageo tem instalações na ilha. A Cattalini, um dos maiores grupos de tancagem e movimentação portuária de granéis líquidos do país, tentou arrematar uma área em Santos há alguns anos, mas desistiu.

 

Ainda na sexta-feira será realizada outra licitação portuária na B3, desta vez a cargo da Companhia Docas do Pará (CDP). Será para exploração de uma instalação dedicada à armazenagem e distribuição de gás liquefeito de petróleo (GLP) no porto de Belém (PA). Apenas a Nacional Gás Butano Distribuidora, que já explora a área, apresentou proposta.

 

Essa é a segunda tentativa da CDP de licitar a área, após o lote ter ficado sem proposta em certame realizado em abril. A área tem 32.256 metros quadrados e a cessão terá prazo de 20 anos, prorrogável por sucessivas vezes, a critério da administração do porto, até o limite máximo de 40 anos.

 

A cessionária deverá pagar à administração portuária R$ 209 mil por mês pelo direito de explorar o lote e investir R$ 51,5 milhões.


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