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Exportação de café cai 11,3% no Porto de Santos após a greve dos caminhoneiros


Fonte: G1 (15 de junho de 2018 )

As exportações de café verde do Brasil despencaram 36,9% em maio, em comparação com o ano passado, para 1,46 milhão de sacas de 60 kg, o menor volume exportado pelo país desde fevereiro de 2004, quando o país embarcou 1,4 milhão de sacas, de acordo com dados do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé). O Porto de Santos se manteve na liderança sendo a porta de saída de 83% das sacas de café do Brasil em maio. Porém, assim como o cenário nacional, o cais santista apresentou uma queda de 11,3% em comparação a maio de 2017. Empresários ainda estão embarcando sacas que ficaram paradas nos armazéns por conta da greve dos caminhoneiros.

 

Em maio deste ano, o Brasil exportou um total de 1,7 milhão de sacas de café, com receita cambial de US$ 258,6 milhões. Em relação ao mesmo mês do ano passado, houve uma queda de 34,7% no volume de café exportado, o que reflete o momento da entressafra da produção, somado aos impactos da greve dos caminhoneiros e das manifestações de diversos setores que ocorreu durante o mês. Já em relação ao mês de abril, a queda foi de 28,3%.

 

Entre as variedades embarcadas no mês, o café arábica se manteve na liderança de café exportado, representando 83,5% do volume total de exportações (1.419.511 sacas), seguido pelo solúvel, com 13,7% (233.566 sacas), e robusta, com 2,7% (46.488 sacas). Já no acumulado, de janeiro a maio de 2018, o Brasil registrou um total de 11.989.057 sacas exportadas, queda de 7,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. A receita cambial também teve declínio, alcançando US$ 1,88 bilhão.

 

Segundo o presidente do Cecafé, Nelson Carvalhaes, devido ao período de entressafra, já era prevista uma menor oferta para a exportação. Os protestos e a greve dos caminhoneiros contribuíram para a queda. “Com a estimativa de que teremos uma safra recorde de café para o próximo ano cafeeiro, que oficialmente se iniciará em julho, o Cecafé espera recuperação dos volumes exportados”, declarou Carvalhaes no relatório do Cecafé.

 

O Porto de Santos se manteve na liderança da maior parte das exportações de café, porém, apresentou uma queda em relação a 2017. De janeiro a maio de 2017, foram exportadas 11.225.537 sacas de 60 kg, ou seja, 86,9% das sacas embarcadas no país. No mesmo período deste ano, esse número caiu para 9.953.355, que corresponde a 83% das exportações de café no Brasil.

 

“Essa greve atingiu o volume de café que era para ser exportado, cerca de 400 mil sacas. Na realidade, já esperávamos um nível menor que do ano anterior, em maio. A greve não só atingiu o volume de café embarcado, mas todo o comércio de café no interior, já que 100% do transporte de café para o Porto de Santos é feito por caminhão. Tudo ficou parado”, diz Moacir Delfim Leite, coordenador da Câmara Setorial de Exportadores de Café da Associação Comercial de Santos.

 

Segundo ele, de 1.400 a 1.600 contêineres com café deixaram de ser embarcados durante as duas semanas da greve. Desta forma, os exportadores deixaram de ganhar, neste período, cerca de US$ 60 milhões de dólares. Os Estados Unidos, a Alemanha e a Itália ocupam, respectivamente, os três primeiros lugares no ranking dos principais países consumidores do café brasileiro, com 17,4% (2.081.399 sacas), 16% (1.922.109 sacas) e 10,1% (1.216.216 sacas), respectivamente.

 

“Afetou também o capital de giro das exportadoras de café. Normalmente, recebem o dinheiro quando é embarcado o café. Tem gente que ainda não embarcou. O café ainda está parado em terminais, armazéns, estão em trânsito. Esse volume que não embarcou em maio, vai ser embarcado em junho. Ele está acumulando e estamos encontrando dificuldade de espaço nos navios”, diz Soares.

 

De acordo com ele, a expectativa é que a situação se normalize nas próximas semanas. Porém, há possibilidade do cais santista perder uma parcela da exportação de café para outros portos brasileiros.

 

“A seca afetou a produção do café conilon. Agora, está voltando a produção e o Brasil começou a ficar competitivo. O porto de Vitória deve aumentar a exportação de café conilon e vai tirar uma fatia do Porto de Santos. A produção da Bahia e norte do Espírito Santo vai ser exportada por lá. A parcela de Santos deve cair de 83% (hoje) para até 75%”, comenta.


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