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Greve dos caminhoneiros gera prejuízo superior a R$ 370 milhões no Porto de Santos, SP


Fonte: G1 (29 de maio de 2018 )

Ao menos 250 mil toneladas de carga em contêineres deixaram de ser movimentadas no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, durante a primeira semana de paralisação dos caminhoneiros. Um levantamento da entidade que representa as agências de navegação estima que o prejuízo supere os R$ 370 milhões (U$ 100 milhões).

 

O modal rodoviário representa 70% das operações de recepção e saída de mercadorias por via terrestre no cais santista, o maior do país e o complexo líder em participação na balança comercial brasileira. Desde segunda-feira (21), deixaram de circular pelas duas margens do porto aproximadamente 8 mil caminhões.

O diretor-executivo do Sindicato das Agências de Navegação Marítima (Sindamar), José Roque, afirma que as toneladas não movimentadas correspondem 17.860 contêineres parados. O levantamento inicial realizado pela entidade, com as empresas associadas, refere-se aos cinco primeiros dias da paralisação dos motoristas.

“Houve navio que saiu de Santos com sua capacidade de embarque reduzida a 80%. Os maiores destinos impactados são Europa, Estados Unidos, Caribe e Ásia. Os terminais, que permanecem recebendo cargas de navios, estão com a capacidade de armazenagem bastante reduzida e pode faltar espaço em breve”, afirma Roque.

Na Brasil Terminal Portuário (BTP), empresa líder na movimentação de contêineres no porto, 20 mil acessos de caminhões para entrega ou retirada de carga deixaram de ocorrer ao longo da semana. O terminal da Copersucar, o principal na operação de açúcar e grãos no cais, está com os armazéns vazios e cancelou as escalas de navios.

A Santos Brasil, operadora do Terminal de Contêineres (Tecon), o maior do Brasil, afirmou que está com esquema de racionamento de combustível para manter o funcionamento dos equipamentos. A VLI, que opera grãos no Tiplam, disse que também foi impactada, mas que a situação está amenizada pela conexão do terminal com a ferrovia.

As operações no costado não foram interrompidas, pelo menos para a navegação em longo-curso, segundo a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). Os cargueiros operaram conforme demanda das empresas para desembarque de cargas e o embarque daquelas que já estavam previamente armazenadas nas instalações, antes da greve.

Para o diretor-executivo da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra), Angelino Caputo, a capacidade operacional das companhias está comprometida. Em nota, nesta segunda-feira (28), a Federação Nacional dos Operações Portuárias (Fenop) avaliou que as consequências do “caos portuário são catastróficas” e que o “país perde”.

Cabotagem

A greve dos caminhoneiros provocou a interrupção das atividades de empresas que realizam o serviço de cabotagem, caracterizado pela navegação costeira – cargas que são transportadas apenas entre os portos do Brasil ou da América do Sul. A Aliança Navegação ordenou que os comandantes dos oitos navios da frota fundeassem na costa.

“Nós tivemos que parar por uma semana, pois em um levantamento que fizemos em todos os portos, verificamos que havia menos de 25% de carga que deveria depositada[para ser embarcada]. O prejuízo, nós calculamos que seja milionário”, declarou o gerente geral de cabotagem e mercosul da Aliança Navegação, Marcus Voloch.

A Mercosul Line também decidiu interromper as atividades dos três navios da frota para conter os prejuízos, conforme comunicado enviado aos clientes nesta segunda-feira. Situação compartilhada pela armadora Log-In, que, mesmo não falando oficialmente, também precisou reduzir todas as operações diante da falta de cargas nos portos brasileiros.

Ao longo do protesto, a Codesp também declarou que não existem pontos de bloqueios para entrada de caminhões nos acessos à Margem Direita, em Santos, e na Margem Esquerda, em Guarujá. Os locais são alvos da concentração de caminhoneiros, que não colocaram barreiras nas pistas, mas montaram acampamento às margens.


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