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Protesto dos caminhoneiros gera prejuízos ao agronegócio


Fonte: UOL (25 de maio de 2018 )

A greve dos caminhoneiros em todo o Brasil contra os constantes aumentos do diesel, que chega nesta quinta-feira, 24, ao quarto dia, já afetam diretamente diversos setores do agronegócio, do ritmo de moagem da cana-de-açúcar ao abastecimento doméstico e exportação da soja, além de impactos negativos à indústria de carne e leite.

 

De acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), algumas usinas de cana do Centro-Sul operam de forma reduzida para economizar o diesel que move o maquinário das unidades canavieiras. Em comunicado, revelou ainda que os protestos da frota de caminhões no sistema rodoviário deixaram algumas unidades paradas na quarta-feira, 23, por falta de peças e diesel.

 

Os efeitos dos protestos dos caminhoneiros desde o início da semana também são sentidos pela indústria de carne, setor em que o Brasil é um dos líderes mundiais em produção e exportação.

 

Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) divulgaram, em nota, que ao menos 129 unidades produtivas no país suspenderam atividades por falta de matérias-primas e insumos. Alertam, ainda, que se o movimento grevista continuar, pode interromper até 90% da produção de carne até sexta-feira, 25.

 

Os bloqueios nas rodovias, ressalta a ABPA, impediram que insumos necessários chegam à produção e o escoamento de alimento. “Deixaram de ser exportadas 25 mil toneladas de carne de frango e suínos, o equivalente a uma receita de US$ 60 milhões que deixa de ser gerada para o país”, avalia em nota.

 

Segundo a associação, no caso da carne bovina, são cerca de 1200 containers que deixam de ser embarcados por dia. “Mais de 85 mil funcionários das indústrias e cooperativas de proteína animal de diversos portes estão com as atividades suspensas nas unidades produtivas. Da mesma forma, os diversos fornecedores de insumos também estão sendo impactados”, completa a ABPA.

 

A soja é outra cadeia produtiva em sinal de alerta devido à greve dos caminhoneiros, no entanto, as associações do produto divergem em opiniões a respeito da manifestação. A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), por exemplo, é favorável à paralisação porque entende que os reajustes do diesel “inviabilizam todo o setor de transporte de cargas, trazendo prejuízos diretos também para os produtores de soja”, esclarece em nota.

 

Um levantamento da Aprosoja afirma que o impacto do aumento do diesel pode superar os R$ 3 bilhões nos últimos 90 dias, ao levar em conta o custo do insumo por hectare cultivado. Enquanto isso, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que representa gigantes do setor, como como ADM, Bunge e Cargill, reclamam que o movimento dos profissionais da área de transporte de carga interrompeu as atividades de diversas unidades e teme chegar ao ponto de impactar “diretamente no cumprimento dos seus contratos”, como ressalta em comunicado.

 

Como possível solução à crise, a Abiove propõe que o governo aumente o índice de biodiesel no combustível, vender etanol diretamente aos postos de gasolina e revisar as metas da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio).

 

Em reunião, ontem à tarde, com o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, o presidente-executivo da Abiove, André Nasser disse que a manutenção da paralisação dos caminhoneiros deve impactar na balança de exportações brasileira, puxada pela produção da soja. “A produção brasileira de soja provavelmente vai ser maior que a dos Estados Unidos, tudo depende de quanto tempo a greve vai durar. Por isso estamos fazendo tudo para que ela se encerre o mais breve possível. Para nós, o que interessa agora é voltar ao escoamento normal dos produtos, porque só cerca de 40% da safra foi escoada e temos 60% para escoar”.

 

Outros setores do agronegócio, como laranja e café, a curto prazo não são impactados pelos protestos dos caminhoneiros ao que diz respeito à importação. A CitrusBR, maior exportador global da commodity e que engloba exportadores de suco de laranja, afirmou que tem produto suficiente já estocado no porto de Santos para atender a demanda internacional. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) também confirma que não ainda não registrou qualquer tipo de problema nos embarques do produto ao exterior.


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