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Gestão da Dragagem


Fonte: Jornal A Tribuna | Caderno A2 | 20/02/2018 (20 de fevereiro de 2018 )

O Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (SOPESP) apresentou ao Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil proposta revisada para a gestão da dragagem no Porto de Santos, encaminhada no âmbito do grupo de trabalho que estuda a questão, criado em novembro passado, cujo prazo para conclusões foi prorrogado por mais de noventa dias, estendendo-se agora até 3 de maio.

 

A ideia é amplamente conhecida: trata-se de transferir ao setor privado a responsabilidade pelos serviços, realizados por entidade sem fins lucrativos, criada para essa finalidade. Segundo os operadores, a transferência pode trazer economia de 22% nos custos dos serviços, se for adotada ainda neste ano, valor que poderá chegar a 39%   em 2027, segundo a projeção de movimentação de carga no complexo marítimo e os custos de realização da dragagem.

 

No caso de Santos, a operação portuária depende da manutenção da profundidade do canal de acesso e dos berços de atracação, tendo em vista suas características geofísicas, que favorecem o depósito contínuo de sedimentos em seu leito. Esses materiais se acumulam no fundo do canal, reduzindo sua profundidade e comprometendo a navegação das embarcações maiores.

 

Estudo encomendado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP) à USP mostrou que o “ponto ótimo” para receber a nova geração de navios que já operam seria a profundidade de 16 metros, proporcionando o melhor custo-benefício para atrair as embarcações. Se isso for realizado, os ganhos seriam da ordem de R$ 5,6 bilhões até 2030: embora os custos para realizar a dragagem atinjam R$1,6 bilhões, os benefícios gerados chegariam ao total de R$7,2 bilhões.

 

Atualmente, a profundidade média do canal de acesso em Santos é de 15 metros, e a polêmica contratação para realizar os serviços, a cargo do governo federal, que se arrasta há quase três anos, prevê sua ampliação e manutenção entre 15,4 e 15,7 metros. Seria necessário, portanto, ampliar o escopo dos serviços e ir além, de modo a permitir a movimentação de embarcações de 366 metros de comprimento, e porta-contêineres de capacidade para 15 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), além de graneleiros de 120 mil toneladas. Hoje o limite são 10 mil TEUs e 80 mil toneladas, respectivamente.

 

Esse objetivo é plenamente atingível. Exigirá maiores investimentos, mas os resultados serão compensadores. É muito difícil, porém, imaginar que isso vá acontecer se a dragagem continuar sob a responsabilidade estatal. Não só faltam recursos, como as complicações burocráticas e jurídicas (como se vê atualmente) são imensas.  O momento exige decisão, e espera-se a rápida conclusão dos estudos no grupo de trabalho, de modo a resolver, de uma vez, a dragagem no Porto de Santos, essencial para seu futuro.

 


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